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16 de agosto de 2016

+100 Anos de Fordismo e sua Gestão Obsoleta

O conceito pode permanecer por anos, mas a forma como ela é praticada, com certeza precisa mudar.

 

É indiscutível que Henry Ford revolucionou o mundo, foi um visionário, um empreendedor, um gestor de sucesso e modelo para todas as aulas de administração ministradas pelas faculdades, MBA, especializações e etc.

Anos se passaram e o mesmo conceito é ensinado nas escolas, nas faculdades, nos MBAs, e seus alunos absorvem a informação como esponjas secas e tornam tudo o que é dito como verdade absoluta, replicando exatamente sem nenhuma alteração, o conceito que lhes foi transmitido, seguindo à risca no melhor estilo Fordismo de ser, padronizado e contínuo.

Nesse meio tempo, surgiram novas tecnologias que tornaram a rotina mais dinâmica:WhatsApp, E-Commerce, Produtos Digitais, Pagamento Online, Revistas Digitais, Customização dos Carros Online, Cotação, Notícias, Facebook, etc.

Tenho plena certeza de que existem muitos como eu, que não conseguem enxergar uma lógica para tanta padronização na gestão corporativa. Alguém já se questionou?

– Por que eu preciso trabalhar 8 horas por dia? Não poderiam ser 5? Ou 13?
– Regra de Vestimenta, social para homens e mulheres. Qual a real necessidade disso se eu não visito clientes?
– A presença física se torna um indicador de comprometimento. Estar na empresa=trabalhando, Fora da empresa=vadiando.

A discrepância entre os modelos de Gestão nas mais diversas empresas hoje, é gritante, mas podemos separar em 2 grupos:

1. Empresas como o Facebook que dão liberdade ao seu colaborador enfeitar a mesa, o ambiente, concedem home office, flexibilidade de horário e tornam como indicador apenas o resultado, que nem sempre é financeiro.

2. Por outro lado, temos as empresas que seguem à risca o Fordismo. Colaboradores padronizados, mesas limpas e padronizadas, cabelo feito, proíbem piercings ou tatuagens aparentes, cabelo longo somente preso, precisa chegar no horário, precisa bater ponto no tempo certo, a porta da empresa só abre no horário X, a empresa fecha no horário Y, expulsam quem tiver além do horário, não pode fazer mais que 15 minutos de pausa no café, somente água é permitida beber na mesa e muitos outros absurdos que vão contra o conceito de produtividade do próprio Ford.

Henry Ford nunca imaginou a Google, o Facebook, as startups de tecnologia, o aumento de dinamismo do trabalho com a globalização, o acesso 24H via celular, aplicativos de mensagem, VOIP, caixa postal, e-mail e SMS.

Estar disponível e alcançável pela empresa em todos estes meios durante 24 horas, é a mesma coisa que estar trabalhando, pois isso não acontecia na linha de produção da Ford. Todo mundo entra no horário e sai no horário, tendo controle pleno do horário de trabalho x produção. A separação do Profissional x Pessoal era muito bem resolvido.

Agora, como calcular a produtividade de um vendedor que precisou ficar acordado até 01:00 para falar com o seu potencial comprador na China?

Como realizar a separação de performance entre ele estar jantando com a família e responder e-mail do chefe ou da equipe ao mesmo tempo?

O coitado ainda precisa chegar no horário para bater o ponto, mesmo tendo ido para a cama às 03:00 por causa da conferência, com o risco de ter o tempo de trabalho descontado de seu holerite pois o RH é alienado em suas próprias regras unilaterais.

Será que tudo isso é normal mesmo? Atualmente, não há uma divisão clara entre o seu tempo Pessoal e Profissional, mas uma coisa é muito clara, continuar no modelo tradicional de gestão está prejudicando a saúde do profissional e do convívio familiar.

As consequências estão aí, como:

– Pais ocupados que não conseguem dar tempo suficiente ao filho, recorrendo à babás, creches, pais, avós e etc.
– Pais estressados, que não conseguem se desligar do trabalho mesmo em casa. Não conseguem nem criar ânimo de brincar com o filho e dar um mínimo de atenção.
– Doenças modernas como tendinite, gastrite, lordose e obesidade.
– Trabalham muito para ganhar muito, mas gastam com remédios, com planos de saúde, de vida e etc.

Não estou negando os conceitos de Henry Ford, é um pedido de reflexão para os gestores deste país, pois do jeito que está, as empresas tradicionais estão tentando encaixar uma bexiga(Colaborador) no buraco de golfe(Regras e Normas Corporativas) na força acreditando que eles irão se moldar e encaixar no buraco por causa de sua elasticidade, mas o risco de estourarem é muito maior.

Como podemos modernizar o conceito base de Ford e modernizá-lo para que continuemos produzindo com padrões, em massa e de forma contínua, agora, pensando no meio ambiente e na limitação de recursos naturais que o planeta está passando?

Fica a minha pergunta para reflexão, pois eu, estou extremamente incomodado com a gestão obsoleta de Henry Ford no ano 2016.

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